Nas décadas de 50 e 60, os monstros eram os maiores violões do cinema, com inúmeras variações, sendo de algum folclore, de alguma cultura ou até da imaginação do diretor. Apesar de hoje em dia monstros não serem tão midiáticos, o diretor Guillermo del Toro é apaixonado por criaturas e decidiu contar uma história com uma versão diferente de monstro. Hoje, o terror para o ser humano é de problemas menos fantasiosos: guerra, fome, discriminação, dentre outros. Felizmente, o diretor se aproxima do fantástico para contar problemas recorrentes e diz com sutileza que o monstro não é a criatura em si, que não é compreendida por muitos, mas sim a ira do ser humano ao diferente e a obsessão pelo poder, fazendo de A Forma da Água um clássico instantâneo.

 

A história de A Forma da Água é bem simples: uma criatura é capturada na América do Sul, que é vista como um Deus pelos nativos, e levada para uma base militar americana secreta, onde procuram entender mais sobre a criatura. Apesar de tudo isso, o personagem principal do longa não é a criatura, mas a faxineira Elisa Sposito (Sally Hawkins), que é muda e foi achada em um rio quando criança e possui uma cicatriz no pescoço. Bem centrada e apenas fazendo seu trabalho ao lado da companheira Zelda (Octavia Spencer), vive o cotidiano de um emprego ordinário, quando o extraordinário, a criatura, aparece. Ambas limpam o galpão secreto onde fica o animal e Elisa aos poucos começa a se identificar com a criatura. Por não conseguir se comunicar por fala, Elisa começa a conversar por meio de gestos e sinais, além de sons. O filme é um mergulho no romance e nas barreiras que o amor pode superar.

 

É nos seus pequenos detalhes que Guillermo del Toro consegue transformar A Forma da Água em uma tempestade de sentimentos. Seja a esperança de Elisa por encontrar algo que compreende, a angústia da criatura por não entender o que está acontecendo, a fome de poder do coordenador de pesquisa Richard Strickland (Michael Shannon), ou a decepção do artista Giles (Richard Jenkins). É de se contar nos dedos os filmes marcantes por ter tantos atributos espetaculares, que quando juntos formam algo perfeito, é de se revenerar. É um grande aglomerado de qualidades, começando com um roteiro em que a 1ª instância é simples, mas que aborda temas como depressão, preconceito, amor, tirania e liberdade. A união de uma trilha sonora impecável, de uma das mais belas fotografias do cinema moderna e de uma direção perfeita, A Forma da Água é uma obra de arte do cinema e extremamente importante para aqueles que algum dia se sentiram só, sem um par.

 

Nota: 9,5

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