Quando estreou nos cinemas, em 1982, Blade Runner – O Caçador de Andróides foi um fracasso de crítica e bilheteria que com o passar dos anos foi apreciado sob uma nova ótica – a visão legítima do diretor Ridley Scott – e ganhou status cult, tornando-se um exemplo de como a interferência dos estúdios pode afetar drasticamente a qualidade de um filme.
 
35 anos depois, Blade Runner 2049 chega para corrigir tais injustiças e entregar logo de cara uma experiência completa, expandindo todo o microcosmo do filme original com uma história cativante que não deve em nada ao que foi visto antes. E não havia pessoa melhor para continuar o trabalho de Scott na direção que Denis Villeneuve.
 
 
Villeneuve vai além da já conhecida megalópole futurista de Los Angeles, com sua chuva ácida, ruas superpopuladas e as cores vibrantes restritas aos anúncios que povoam os prédios, para nos levar a ambientes decrépitos, resultados da inevitável decadência da sociedade neste universo, desta vez mais empoeirado, a névoa que cobre a cidade emulando o sentimento de confusão do protagonista, fruto de um perfeito trabalho do diretor de fotografia Roger Deakins, para nos mostrar a jornada de K (Ryan Gosling, em sua melhor atuação até aqui), um Blade Runner que investiga um segredo que pode jogar a já frágil civilização no caos absoluto. Gosling não se acanha diante de outros astros como Jared Leto (em mais uma boa atuação, porém com pouquíssimo tempo de tela) e o veterano Harrison Ford e toma para si o posto de personagem principal da história. Paralelo à trama principal, K está em busca de humanidade, seja na relação com a holograma Joi (Ana de Armas) ou ao hesitar em aceitar uma nova missão, em uma das melhores cenas do filme, afirmando à sua chefe (Robin Wright) que nunca havia matado alguém que tivesse “nascido”.
 
 
O competente roteiro de Hampton Fancher (co-roteirista do original) e Michael Green aproveita bem as mais de duas horas e meia de película e traz diversas subtramas sem comprometer a história principal. Entre elas, está Rick Deckard, protagonista do primeiro filme. Sem forçar o elemento de nostalgia e aproveitando o pouco tempo de tela de Ford, o filme o coloca como coadjuvante sem que precise depender dele para a trama engrenar. Além disso, oferece uma continuação satisfatória após os eventos de 2019 e, ao invés de entregar respostas prontas aos questionamentos do primeiro filme (Deckard é ou não um replicante?), ainda traz uma nova visão aos acontecimentos anteriores que certamente irão enriquecer ainda mais a experiência para os fãs do clássico de 1982.
 
 
De tempos em tempos no cinema, nos deparamos com continuações de filmes clássicos que se tornam tão boas quanto os originais e até levantam debates sobre qual é melhor (O Império Contra-Ataca, O Poderoso Chefão: Parte II). Felizmente, fomos agraciados com mais um exemplar desses. Blade Runner 2049 é um filme que faz justiça ao que o original deveria ter sido no momento de seu lançamento, o blockbuster de ficção-científica essencial, a visão definitiva do diretor, um clássico instantâneo.
 
 
Nota: 10
 
 

Principais Lançamentos do Mês

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