Equilíbrio. Desde o princípio, todas as histórias têm o lado bom e o lado mal. E na saga Star Wars, o lado da luz é representado pelos Jedi, como guardiões da paz e de prosperidade. Já os Sith representam o lado negro, focado em conseguir o máximo de poder e conquistar tudo que seja possível. Mas a novidade é que em Star Wars: Os Últimos Jedi o foco é realmente achar o equilíbrio. De tanto focar no equilíbrio, infelizmente o 8º episódio esquece de também ser equilibrado em suas decisões importantes. Para muitos, Star Wars é muito mais que um filme (que é o caso de quem aqui vos escreve), mas é de coração partido que Star Wars: Os Últimos Jedi consegue desfazer todo o mistério construído em seu antecessor e parte para uma forma brutal, e complemente sem lógica, rumo ao episódio final da saga Skywalker.

 

AVISO: PODEM HAVER SPOILERS ABAIXO!

 

O excelente final de Star Wars: O Despertar da Força levou os fãs ao delírio em 2015, com inúmeras teorias criadas sobre o futuro da saga, o mistério presente era excelente para ser explorado nos próximos dois filmes, mas, infelizmente, o diretor Rian Johnson acaba com quase todo o mistério em cenas rasas e que pouco acrescentam à mitologia desse universo tão rico. É inevitável que VIII seja um filme que divida opiniões, pois suas decisões são drásticas e extremas. Muito parece ter sido em vão, principalmente do pífio Snoke (Andy Serkis), cercado de tanto mistério e que pouco mostrou a que veio. Fica de ponto extremamente positivo a atuação de Mark Hammil como Luke Skywalker, que com maestria traz o grande herói da saga de volta em uma versão atormentada pelo seu passado e pelas decisões cometidas nele, e com o peso na consciência de não ter visto a criação de Kylo Ren (Adam Driver) perante seus olhos. Apesar do grande mestre ser atormentado, fica claro que ele é um grande ser e o mais importante de toda a saga Star Wars, o verdadeiro "messias" da franquia.

 

Em toda sua mitologia, Star Wars sempre focou em apresentar os seus dois lados e as habilidades que cada um possibilita ao seu seguidor, e fica evidente o quão pouco conhecemos sobre a Força até o presente momento. Em Star Wars: Os Últimos Jedi, Luke Skywalker é relutante em ensinar a jovem Rey (Daisy Ridley) os caminhos dos Jedi, desejando permanecer em exílio, enquanto Kylo Ren deseja sair da sombra de seu avô, Darth Vader, e conquistar seu próprio nome na galáxia, mesmo que ainda esteja em conflito de qual caminho seguir: lado da luz ou lado negro. Fica evidente que Kylo Ren é apenas um peão de Snoke, e que apesar de ambos serem muito fortes com a Força, não fica muito claro quem é Snoke e como ele conseguiu chegar ali sem ninguém ter identificado ele. Ficou evidente também a falta de uma história de fundo para Snoke: a falta de falar o que ele é e o porquê de estar totalmente destruído é um ponto fraco do filme, talvez o maior. Claro que existem pontos positivos, principalmente na parte técnica do filme, onde o diretor Rian Johnson faz de Star Wars: Os Últimos Jedi o filme mais bonito de se ver nos cinemas. Sem contar a sempre belíssima trilha sonora de John Williams que ajuda muito a dar os toques necessário, algo que faltou muito em Rogue One.

 

São vários arcos presentes no filme. Em um deles, Poe Dammeron (Oscar Isaac) tenta provar para Leia (Carrie Fisher) que pode ser um líder da Rebelião, mas ainda tem que aprender a hora certa de tomar suas decisões. Aliás, Carrie Fisher faz uma atuação extremamente tocante e, em cada aparição, faz as emoções virem à tona. Já com Finn (John Boyega) e Rose (Kelly Marie Tran), o filme cai ladeira abaixo, com um dos arcos mais exaustivos e longos, sem nenhuma necessidade de um romance nada natural. Mas é o arco de Luke Skywalker com Rey que é realmente o melhor do filme. Todas as cenas que envolvem o mistério do passado de Luke Skywalker e o treinamento Jedi de Rey são da nata de Star Wars, pouco pode ser melhor que isso. Existe também um grande arco com Rey e Kylo Ren, onde ambos se conectam através da Força, sendo o principal gancho deixado para o IX. Nas cenas que Kylo Ren está, fica claro o quão talentoso o ator Adam Driver é, permitindo que o espectador cria uma empatia com o personagem.

 

Com dor no coração, Star Wars: Os Últimos Jedi é um filme decepcionante por tudo que poderia ser. Devido a um roteiro apressado, Rian Johnson toma decisões ruins e precoces que não precisavam ser feitas em apenas um filme, com a possibilidade de explorar mais alguns personagens e solucionar o mistério aos poucos. O final é iminente no próximo episódio, com pouco a ser resolvido, apenas uma luta por um trono imaginário. Fica nas mãos do diretor J.J Abrams conseguir arrumar as vias tortas deixadas por Rian Johnson e fazer o oposto: trazer um filme que explore mais e de maior significado, até mesmo em épico, pois Star Wars é uma saga muito grandiosa, talvez a maior da história do cinema e não pode ficar limitada. Que a Força esteja com J.J Abrams, pois ele irá precisar.

 

Nota: 6,5

Principais Lançamentos do Mês

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