Na mitologia nórdica, o Ragnarök é considerado o "fim de um ciclo", onde seus deuses engajam em batalhas épicas que levam ao fim do mundo como conhecemos para depois ressurgir e recomeçar o ciclo. Thor: Ragnarok foi anunciado com a mesma pompa apocalíptica que o título sugere, indicando uma aventura tão importante para o personagem quanto os eventos de Capitão América: O Soldado Invernal foram para Steve Rogers. Para os fãs, isso soava como um respiro de qualidade aos filmes do Deus do Trovão após duas películas medíocres que pouco acrescentaram ao Universo Cinematográfico Marvel além do carismático vilão Loki (Tom Hiddleston, com pouco tempo de tela nesta terceira aventura).

 

 

A chegada do neo-zelandês Taika Waititi na direção indicava que o prometido épico mitológico ganharia um tom mais excêntrico, semelhante ao estilo de James Gunn em Guardiões da Galáxia. Mas, já não vimos isso antes (duas vezes, aliás)? Para uma mega-franquia que está chegando próxima da marca de 20 filmes em uma década, as mudanças devem ser constantes, não adianta prometer algo novo para depois repetir a fórmula de seu filme mais diferenciado. 

 

A tal liberdade criativa que Waititi alegou ter no set somente serviu para que o filme fosse rapidamente digerido pelas engrenagens da Marvel Studios em uma aventura morna com um segunto ato arrastado, que só empolga de verdade nas cenas de ação no começo e final do filme, onde toda sua visão salta aos olhos do espectador e temos um vislumbre do estilo "rock n' roll" que foi vendido. Os incríveis visuais do filme podem vir de grandes momentos como Thor enfrentando o demônio/alívio cômico Surtur ao som de Led Zeppelin, ou o flashback com as valquírias, cenas que parecem tiradas de capas de álbuns de heavy metal, ou de momentos pequenos, como o rosto de Bruce Banner sobreposto a uma tela com a imagem do Hulk em um momento de conflito do(s) personagem(ns).

 

 

Se nos visuais o estilo de Waititi e do diretor de fotografia Javier Aguirresarobe se destaca, um grande alívio em um universo com pouco destaque nesta parte (basta lembrar dos visuais cinzentos nas aventuras dos heróis da Terra), nos diálogos o roteiro de Craig Kyle, Christopher Yost, e Eric Pearson é pobre, repetindo detalhes da trama constantemente pelo segundo ato e reduzindo as interações entre os heróis do filme a conversas que alunos de quinta série teriam, o que funciona de maneira competente entre os amigos Thor e Hulk, mas nem tanto entre o deus nórdico e a ótima Valquíria (Tessa Thompson), onde as fracas tentativas do astro Chris Hemsworth de abraçar seu lado comediante rendem até comentários machistas frente à sua "colega de batalha".

 

Um promissor acerto na trama foi a condução da jornada de Thor, com o protagonista (embora fraco) o tempo todo no banco da frente, como em um videogame, onde o acompanhamos por várias fases, com pequenos intervalos para mostrar os planos de Hela (Cate Blanchett), uma das mais divertidas vilãs deste universo, com a excêntrica Blanchett se divertindo em cena como uma versão de Rita Repulsa mais fiel até que a mostrada em Power Rangers neste ano. Outra história interessante de acompanhar é o conflito entre as personalidades de Hulk e Bruce Banner (Mark Ruffalo), que dão uma profundidade extra ao personagem, e nos faz lamentar que isso não pudesse ter sido aproveitado em uma adaptação solo do arco Planeta Hulk.

 

 

Todas estas "jornadas", que também incluem o Ragnarok do título, são constantemente interrompidas pelas tentativas de humor forçado resultantes da tão criticada (mas ainda assim adorada por muitos defensores) "fórmula Marvel" e o background em comédia de Waititi. O humor não é natural como em Guardiões da Galáxia e é empurrado goela abaixo para tentar arrancar o máximo possível de risadas por minuto, como em uma sitcom.

 

Quando o lado humorístico não é bem trabalhado e acaba forçado dentro do filme, acaba tirando todo o peso da história que está sendo contada. E, com isso, histórias tão interessantes como as mostradas em Thor: Ragnarok acabam deixadas de lado em uma tentativa desesperada de conquistar o público com um personagem cuja popularidade com o público geral vem do fato de ser motivo de chacota quando comparado a seus "amigos do trabalho" (teria a Marvel transformado o Thor dos cinemas em seu Aquaman?) em seu terceiro (e melhor) filme. O grande público pode estar lá se divertindo com o humor do filme, mas o fã que tem sua "cadeira cativa" nas estreias já está com a cabeça em outro grande lançamento esperando um alívio desta fóruma em fevereiro de 2018, ou talvez ele venha já em novembro deste ano...

 

 

Nota: 6,5

Principais Lançamentos do Mês

Dezembro 2017
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